Quase um ano. Um ano afastado de um pequeno e despretensioso hobby. Sim, não importa o quão assíduo você seja ao seu blog, isto é o que ele sempre vai ser: um hobby. Nada além disso. Não se iluda, se vc não tem um livro publicado ou se tem mas não rendeu dividendos, então vc não é um escritor.
Isso foi para os românticos, que na verdade é um eufemismo para "sonhadores" que por sua vez é eufemismo para "vagabundos".
Chamei sua atenção? Ótimo, agora vamos ao assunto de hoje. O fato, senhoras e senhores, é que filmes românticos (romanticamente amorosos ou romanticamente ideológicos) nos emocionam. E sabemos que nossa vida é formada pelas nossas emoções. Nós não somos nossos empregos, nossos estudos ou qualquer outra decisão racional nossa. O colorido da vida são as emoções. São nossas emoções que mostram ao mundo e a nós mesmos quem somos. São nossas emoções que marcam nossa vida e a tornam digna de ser vivida.
Mas a vida não é só emoções. A vida também é realidade chata e calculista. A verdade é chata e calculista. Falo isso porque vejo um número enorme de pessoas que se entregam ao romantismo e à fantasia e não querem ver a realidade enfadonha.
Vejamos a cantora britânica Adele Laurie Blue Adkins. Sucesso mundial inquestionável, vencedora de 8 Grammys Awards (incluindo "Álbum do Ano" em 2012) a gordinha simpática tem uma qualidade comparável à Aretha Franklin e até à frente da fantástica Amy Winehouse. "Gordinha simpática maltratada pelos ex-namorados", esse é o personagem. Sim, personagem. Não se iludam pessoas, um artista que em tempos de downloads vende, na primeira semana de lançamento de um álbum (21), 208 mil cópias no Reino Unido e 352 mil nos Estados Unidos não tem um fio de cabelo ao acaso, como tentam nos fazer acreditar. São muitos milhões de libras e dólares envolvidos não apenas com ela mas com grandes gravadoras.
Esse é apenas um exemplo, há dezenas, centenas de situações semelhantes.
"Então devemos ser racionais e céticos como vc?" Não, até porque quem disse que sou? Sou. Mas isso não me impede de apreciar a música absurdamente boa da Adele e adorar a simplicidade e espontaneidade dela no estupendo "Live at Royal Albert Hall". Meu ceticismo não me impede de apreciar um filme com Keanu Reeves exorcizando e ludibriando demônios ou com Cristian Bale enfiado numa fantasia preta e com distúrbios de personalidade. Não preciso acreditar para apreciar. E não, esse post não é sobre mim ou sobre o que acredito. Mas sobre como podemos enxergar as coisas de forma mais realista e mesmo assim sentir prazer com a vida. E vou mais além: "(...) e por causa disso sentir mais prazer com a vida!"
Pílula azul ou vermelha? Ora, já deviam saber que sou curioso demais para aceitar qualquer coisa menos do que a verdade. Ou ao menos aquela que acredito piamente, e não aquela que querem me fazer acreditar.
"Isn't it enough to see that a garden is beautiful without having to believe that there are fairies at the bottom of it too?"
