Olá!

Fique à vontade, leia, fuce, comente e retruque. Apenas saiba que posso responder, ou não.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Fadas no jardim.

Quase um ano. Um ano afastado de um pequeno e despretensioso hobby. Sim, não importa o quão assíduo você seja ao seu blog, isto é o que ele sempre vai ser: um hobby. Nada além disso. Não se iluda, se vc não tem um livro publicado ou se tem mas não rendeu dividendos, então vc não é um escritor.
Isso foi para os românticos, que na verdade é um eufemismo para "sonhadores" que por sua vez é eufemismo para "vagabundos".
Chamei sua atenção? Ótimo, agora vamos ao assunto de hoje. O fato, senhoras e senhores, é que filmes românticos (romanticamente amorosos ou romanticamente ideológicos) nos emocionam. E sabemos que nossa vida é formada pelas nossas emoções. Nós não somos nossos empregos, nossos estudos ou qualquer outra decisão racional nossa. O colorido da vida são as emoções. São nossas emoções que mostram ao mundo e a nós mesmos quem somos. São nossas emoções que marcam nossa vida e a tornam digna de ser vivida.
Mas a vida não é só emoções. A vida também é realidade chata e calculista. A verdade é chata e calculista. Falo isso porque vejo um número enorme de pessoas que se entregam ao romantismo e à fantasia e não querem ver a realidade enfadonha.
Vejamos a cantora britânica Adele Laurie Blue Adkins. Sucesso mundial inquestionável, vencedora de 8 Grammys Awards (incluindo "Álbum do Ano" em 2012) a gordinha simpática tem uma qualidade comparável à Aretha Franklin e até à frente da fantástica Amy Winehouse. "Gordinha simpática maltratada pelos ex-namorados", esse é o personagem. Sim, personagem. Não se iludam pessoas, um artista que em tempos de downloads vende, na primeira semana de lançamento de um álbum (21), 208 mil cópias no Reino Unido e 352 mil nos Estados Unidos não tem um fio de cabelo ao acaso, como tentam nos fazer acreditar. São muitos milhões de libras e dólares envolvidos não apenas com ela mas com grandes gravadoras.
Esse é apenas um exemplo, há dezenas, centenas de situações semelhantes.
"Então devemos ser racionais e céticos como vc?" Não, até porque quem disse que sou? Sou. Mas isso não me impede de apreciar a música absurdamente boa da Adele e adorar a simplicidade e espontaneidade dela no estupendo "Live at Royal Albert Hall". Meu ceticismo não me impede de apreciar um filme com Keanu Reeves exorcizando e ludibriando demônios ou com Cristian Bale enfiado numa fantasia preta e com distúrbios de personalidade. Não preciso acreditar para apreciar. E não, esse post não é sobre mim ou sobre o que acredito. Mas sobre como podemos enxergar as coisas de forma mais realista e mesmo assim sentir prazer com a vida. E vou mais além: "(...) e por causa disso sentir mais prazer com a vida!"
Pílula azul ou vermelha? Ora, já deviam saber que sou curioso demais para aceitar qualquer coisa menos do que a verdade. Ou ao menos aquela que acredito piamente, e não aquela que querem me fazer acreditar.

"Isn't it enough to see that a garden is beautiful without having to believe that there are fairies at the bottom of it too?"

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Politicamente correto

Com o título tenho certeza que vc pode imaginar uma pessoa. Assim, "boazinha" ou "do bem". Como o Super Homem ou o Tony Ramos. Aquele mocinho do filme que sempre toma a decisão certa, se fode, mas no final fica tudo bem.
Mas na verdade, isso é só mais uma forma de controle. Não é teoria da conspiração, é observação. Enquanto as pessoas que deviam guiar os países não seguem essas idéias politicamente corretas. Ou seguem? O Brasil arrecada tanto imposto quanto a Inglaterra, proporcionalmente falando. Pagamos aproximadamente 38% de imposto sobre os frutos do nosso suor. E não podemos sonegar, pq é politicamente incorreto. Mas está tudo bem não ter o retorno do que se paga? Vejamos, a saúde é um caos completo, ainda que o FHC tenha criado a CPMF para resolver todos os problemas do SUS (eu lembro da pronunciação na TV). As ruas e rodovias são um caos, ainda que paguemos imposto na compra do carro e imposto anualmente para poder usá-lo. O transporte público, ainda que um dos mais caros da América Latina, não supre a demanda, reduzindo o trabalhador a condições degradantes. A gasolina, bem, está todo mundo vendo o que a nossa "independência do petróleo", tão alardeada pelo ex-atual-presidente tanto alardeou, nos proporcionou né? Mas não devemos nos insurgir contra esses absurdos, não é politicamente correto usar de violência para "resolver diferenças".
Não é raro me chamarem de "revoltado" ou "extremista". Tomo como elogio. Tenho meus valores e princípios, claro. Não me aposso de nada que não seja meu e não espanco crianças. Mas detesto ser classificado como "normal". "Tem alguma coisa errada com vc!". Ótimo!! Que bom que não sou como todo mundo. Que bom que não sou reduzido a uma massa não-pensante que idolatra futebol, BBB, novela, carnaval, cerveja... Que pensa ser obrigatório e necessário ter filhos. Que não vê o país à sua volta, ou não se importa o suficiente para pensar um pouco a respeito. Que não vê os freios e amarras invisíveis, mas muito eficazes colocados ao redor dos nossos pescoços para manter o status quo há centenas de anos. Que torce o nariz quando digo que não torço para nenhum time ou que não tenho signo no horóscopo. Que sabe pq a Maria ganhou o último BBB, mas não sabe quem foi Ghandi ou Nietzche. Que acha que aquele teatro à margem da realidade composto por aristocratas que não sabem o que é tomar café-da-manhã com café e pão com manteiga chamado "novela" é um retrato da cultura de um país. Que não vê que é justamente na época do carnaval que nossos "governantes" fazem as maiores barbaridades com o dinheiro público. Que acha normal ter filhos sem planejamento. "Aconteceu!". Que bom....

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Escolhas

Recentemente escutei as perguntas que todos se fazem em algum momento da vida: "Será que vou tomar as decisões certas?", "Será que tomei as decisões corretas?".
Essas dúvidas são mais acentuadas na adolescência, a fatídica e traumática mudança da infância para a vida adulta. Aquela fase de turbilhonamento em que sua mente se expande rápido e tudo é muito maior e mais importante.
Quando passa achamos que essas perguntas se vão para não voltarem mais. Até algum acontecimento marcante, como o término de um relacionamento. Surpresa!! Olha as malditas aí de novo a te atormentarem.
Como o criador de Macbeth já dizia: "Nada é bom ou mau, seu pensamento é que o faz."
E é isso que traz consigo o entendimento filosofal acerca da vida. Não há escolhas corretas ou escolhas erradas. Apenas há escolhas. Se vc tivesse feito outra escolha, sua vida não seria melhor, ou pior, seria apenas diferente. Se vc escolher a trilha da esquerda ao invés da direita, seu destino apenas será outro. Ou talvez não, talvez seja o mesmo e vc apenas dê uma volta maior. De repente até mais agradável.
A essa altura vcs já devem ter percebido que não ofereço respostas. Nem tenho essa intenção, ou essa presunção. Ficarei contente se for capaz de fornecer perguntas. Pq afinal, é isso mesmo. Não há respostas, e se houverem, não me digam qual é. Se todas as perguntas forem respondidas, qual o sentido de continuar? O que vou ser se todo o caminho já estiver delimitado e demarcado?
Devemos sim, nos lembrar que as férias são boas. Nos bronzeamos ao sol nadando no mar azul e desfrutamos da brisa refrescante na noite estrelada. Mas sempre ficamos vermelhos e ardidos com o passar do tempo e os mosquistos não tardam a nos achar no passeio bucólico. As coisas apenas são assim. Guardemos o retrato dos bons momentos e deixe tudo o mais se desvanecer na memória biológica. Felicidade absoluta e eterna é ficção romântica. E nunca devemos parar de persegui-la. Apenas não podemos ser engolfados pela ansiedade durante a (incessante) busca.
Os budistas têm um conceito interessante sobre a sabedoria e a meditação. Segundo sua crença, a sabedoria está sempre ao nosso redor, tentando nos alcançar. Mas nossas preocupações, nossas dores, nossos medos e vaidades a impede de nos atingir. Através da meditação nosso coração se acalma e ela nos preenche. Malefícios religiosos à parte, a idéia de acalmar o coração é justa. Traz junto todo um conjunto de idéias que pode ser facilmente adaptado à boa e velha idéia: aproveite!
Mahatma Ghandi dizia que sempre colocamos a felicidade um passo à frente de onde estamos, por isso nunca a alcançamos.
Psiquiatras dizem que passamos 75% do nosso tempo pensando no passado, 20% no futuro e apenas 5% no presente. Que tal alterar um pouco essa estatística e apenas viver?


sexta-feira, 18 de março de 2011

Oração Inuit




Eu repenso minhas pequenas aventuras, meus medos, aqueles tão pequenos mas que parecem tão grandes para as coisas vitais que eu tinha que alcançar. E ainda assim, só existe uma grande coisa, a única coisa: viver para ver o maravilhoso dia que amanhece e a luz que preenche o mundo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

I, me and myself.

Não vou falar sobre o carnaval, apesar de tentadíssimo a plagiar aquela repórter com palavras muito bem colocadas. Curioso? Pesquise no youtube.
Há 15 anos ("Atrás"? Lógico, "Há quinze anos no futuro..." não pode ser!) um então amigo compartilhou uma idéia: a de que um diário bem escrito não narra o cotidiano, mas traz os pensamentos e divagações acontecidas no dia a dia.
Extendo essa idéia para a era digital, onde a internet ferve com os "blogs", palavra da língua inglesa que pode ser perfeitamente traduzida para "diário virtual". Na verdade acho que a tradução não é boa (Então retire o "perfeitamente", idiota!), um blog não é só um diário virtual. Até pq um diário virtual pode ser escrito em um editor de textos comum, sem necessidade de estar conectado à rede mundial de computadores. Então o que seria um blog? Comecemos pelo básico, o que o diferencia, dessa forma, de um diário virtual escrito em um simples editor de textos? A conexão world wide web, certo? E qual a função desta? Conectar computadores, e seus usuários através destes. Logo, só pode-se concluir que a principal função de um blog é a de que (pasmem!) as pessoas leiam! Ok, so far so good.
Bom, se eu escrevesse um diário mal escrito, de acordo com a idéia supramencionada, o blog perderia sua razão de ser, correto? Afinal de contas quem gostaria de ler um "Querido diário, hoje eu fui até a praia com a Cassi e ela adorou!". Ninguém leria essa baboseira, há de ser um diário bem escrito, com idéias, e não com acontecimentos. Tudo bem, vamos escrever sobre idéias então. Não sei a disposição de vcs de ler blogs alheios, mas tive o desprazer de ler alguns tão desinteressantes quanto o que acabei de narrar. Blogs escritos com idéias, mas idéias acerca do escritor: "Acho que me sinto assim pq sou assado.", "Penso tal coisa sobre tal característica minha.", "Tal música me faz pensar sobre tal época da minha vida.", eu eu eu eu eu .... Caracas! Quem quer ler sobre você? Seus pais realmente fizeram vc acreditar que seu umbigo é o centro do universo? Chega a ser vergonhoso expor todo esse egocentrismo e ainda pensar que pessoas possam interessar-se por todas essas minúcias sobre sua personalidade. Fale coisas interessantes (não, você não conta!), sobre atualidades, sobre a vida, sobre qq coisa que possa interessar um leitor on line que não seja seus pais!



E não te interessa como foi o meu carnaval, pois as pessoas no poder continuam desviando todo o dinheiro que pago de impostos. Ninguém parece se importar, contanto que haja o carnaval.
Joguem pão para a multidão enquanto os gladiadores lutam até a morte. E a multidão permanecerá subserviente.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vida sobre vida e morte em vida.






Os poetas dizem que quando nos apaixonamos tudo fica melhor. As cores ficam mais vibrantes, o pássaro canta mais bonito e a brisa é mais refrescante. Os cientistas corroboram a assertiva, eles dizem que as reações químicas no cérebro de um apaixonado são muito parecidas ou idênticas às de um drogado. E que é tão cansativo sintetizar todas as substâncias, que só dura três anos. Os psiquiatras correlacionam o comportamento e silogismo ao de um louco. Eu, cético que sou, acredito nos três.
Vou mais além, apaixonar-se é nascer de novo. Blah... que parti-pris vagabundo... De fato, rs, mas é um pouco mais do que o entendimento comum. Cada vez que nos apaixonamos nós mudamos completamente. Tudo muda, seus planos, sua vida, sua personalidade e às vezes até sua ideologia (se é que alguém ainda tem uma). "Minha personalidade não muda por ninguém!!! E tenho dito!". Ahhh, vá caçar sapo de bodoque! Sempre que vc conhece alguém vc muda um pouco, isso é inevitável, não existe humano plenamente formado e imutável. Até pq somos seres sociais, vivemos em conjunto e a mudança nos é natural como forma de aprendizado e adaptação às constantes mudanças no meio. Se não nos adaptássemos às situações novas, não teríamos um lobo frontal desenvolvido e provavelmente já estaríamos extintos.
Com a convivência constante, vc absorve maneirismos e até traços de personalidade de quem está próximo a vc. Acho que isso pode ser visto como uma mudança radical no espécime não? Talvez o nascimento de um novo espécime, mais adaptado ao meio e aos outros espécimes? Quem se apaixona nasce de novo. E isso fica tão sulcado na psique, que mesmo após o término alguns traços absorvidos permanecem. É evolutivo, as memórias atreladas a fortes emoções (nenhuma relação com o Rei) são as que ficam por mais tempo no cérebro, provavelmente até a morte. Faz sentido, o medo faz a lembrança do tigre ser nítida p sempre, p vc sempre lembrar de como conseguiu escapar no caso de um caso semelhante.
Da mesma forma, mas não por analogia, o inverso é verdadeiro. Morremos ao nos "desapaixonarmos". Quanto mais intenso o nascimento, mais dolorosa a morte. Sim, é p ser óbvio mesmo. Até pq o é. Claro que não nos desapaixonamos em um momento específico, assim como não nos apaixonamos imediatamente. Mas é quando percebemos que o romance acabou que a dor é mais excruciante. Todos os planos feitos, todo novo rumo, tudo morre junto. Acho justo dizer que uma parte morre junto. Não aquela morte de perda, e unicamente de dor. Mas a morte de transformação, de necessidade de transformação. De engrandecimento ao reaprender a andar sozinho. De esperar até um novo nascimento.


Boa semana.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Last, but not least.

Antes tarde do que nunca, muito embora eu me pergunte se alguém ainda lê isso aqui. De qualquer forma não custa nada exercitar minha capacidade de retórica por alguns minutos, ainda que não traga nenhum grande benefício à humanidade. Até pq eu quero mais é que a humanidade se exploda. "Nãããão!!!! Vc não falou isso !! :O" Falei sim, e todo mundo quer isso mesmo, mas a boa e velha demagogia impede as pessoas de exteriorizar esse pensamento tão politicamente incorreto, ou até mesmo de formulá-lo conscientemente.
Ahhh, tudo bem, talvez eu esteja apenas um pouco mais cínico do que de costume, vou mudar o rumo da prosa. Até pq, como vcs bem devem imaginar, eu não quero isso literalmente, só não suporto aquela vibe de "fazer o bem sem olhar a quem pq sou bonzinho, engajado e admirável". Não, não existem ações altruístas (valha-me Nietzche!), o ser humano (cerumano?) é egoísta por definição. Basta olhar os noticiários do mundo inteiro: pessoas morrem todos os dias enquanto podiam ser salvas por outras pessoas, incluindo VOCÊ. "Ah, mas eu ajudo o próximo.... de vez em quando..." Sim, vc o faz, para VOCÊ se sentir melhor.
Enfim.
...

Não tenho grandes digressões, mas tenho nostalgia. Outro dia passeando com a Sayuri encontrei um sebo. Até que bem montadinho, apesar de não ter muita coisa. Achei uma hq do superman de 1985. Foi bem legal ler aquela história (hoje) infantil. Mas o mais legal mesmo foi ver as propagandas. Muitas lembranças. Um pouco de saudade. Mas nenhuma vontade de reviver aquele tempo. Meu tempo é agora. Estou muito bem agora e onde queria estar. Não me apraz aquele "No meu tempo..." Como assim? Vc já morreu? Seu tempo é agora! Vc está vivo agora! Então aproveite. Delicie-se com a vida, pq isso é tudo que importa no final das contas. Não espere levar nada e não espere nada eterno. Aproveite o tempo que vc tem. Sinta prazer e considere-se feliz. Todo o resto não importa.



Boa semana!