Vou mais além, apaixonar-se é nascer de novo. Blah... que parti-pris vagabundo... De fato, rs, mas é um pouco mais do que o entendimento comum. Cada vez que nos apaixonamos nós mudamos completamente. Tudo muda, seus planos, sua vida, sua personalidade e às vezes até sua ideologia (se é que alguém ainda tem uma). "Minha personalidade não muda por ninguém!!! E tenho dito!". Ahhh, vá caçar sapo de bodoque! Sempre que vc conhece alguém vc muda um pouco, isso é inevitável, não existe humano plenamente formado e imutável. Até pq somos seres sociais, vivemos em conjunto e a mudança nos é natural como forma de aprendizado e adaptação às constantes mudanças no meio. Se não nos adaptássemos às situações novas, não teríamos um lobo frontal desenvolvido e provavelmente já estaríamos extintos.
Com a convivência constante, vc absorve maneirismos e até traços de personalidade de quem está próximo a vc. Acho que isso pode ser visto como uma mudança radical no espécime não? Talvez o nascimento de um novo espécime, mais adaptado ao meio e aos outros espécimes? Quem se apaixona nasce de novo. E isso fica tão sulcado na psique, que mesmo após o término alguns traços absorvidos permanecem. É evolutivo, as memórias atreladas a fortes emoções (nenhuma relação com o Rei) são as que ficam por mais tempo no cérebro, provavelmente até a morte. Faz sentido, o medo faz a lembrança do tigre ser nítida p sempre, p vc sempre lembrar de como conseguiu escapar no caso de um caso semelhante.
Da mesma forma, mas não por analogia, o inverso é verdadeiro. Morremos ao nos "desapaixonarmos". Quanto mais intenso o nascimento, mais dolorosa a morte. Sim, é p ser óbvio mesmo. Até pq o é. Claro que não nos desapaixonamos em um momento específico, assim como não nos apaixonamos imediatamente. Mas é quando percebemos que o romance acabou que a dor é mais excruciante. Todos os planos feitos, todo novo rumo, tudo morre junto. Acho justo dizer que uma parte morre junto. Não aquela morte de perda, e unicamente de dor. Mas a morte de transformação, de necessidade de transformação. De engrandecimento ao reaprender a andar sozinho. De esperar até um novo nascimento.
Boa semana.


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