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sábado, 25 de dezembro de 2010

O Governo do Lar

"Se um samurai encontra coisas em sua esposa de que não gosta, deve adverti-la, para que entrem em um acordo, mediante argumentos razoáveis, ainda que nas coisas insignificantes deva ser paciente e indulgente com ela. Mas se ela demonstra uma má disposição e ele acredita que ela já não lhe serve, pode divorciar-se e mandá-la à casa de seus pais, em circunstâncias excepcionais. Mas se não o faz e a conserva como sua esposa, fazendo com que os outros se dirijam a ela com os títulos respeitosos de okusama e kamisama, e depois grita e insulta-a com todo tipo de expressões abusivas, está se comportando de uma maneira adequada a um mercenário e aos criados que vivem nas ruas do bairro dos vendedores, mas certamente não a um samurai que é tido como um cavalheiro. Muito menos é uma atitude digna de um samurai armar-se contra a sua esposa, fazendo uso de sua espada, ou ameaçá-la como o punho fechado, algo ultrajante que só um samurai covarde pensaria em fazer. Porque uma garota nascida na casa de um guerreiro e que se encontra em idade de casar-se, se fosse um homem nunca toleraria, sequer por um momento, ser tratada a socos por ninguém. Não é só pelo fato de ter nascido mulher que ela deve verter lágrimas e suportar esse tipo de situação. Comportar-se de uma maneira tirânica com alguém que é considerado mais fraco que o outro é algo que um valente samurai nunca deve fazer. E aquele que gosta e faz o que um homem valente odeia e evita, pode ser qualificado justamente de covarde."

                                                                                     Bushido
                                                                          O código do samurai

                                                                                               Daidoji Yuzan - escritor japonês do séc XVI

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